Em postagem em seu perfil no TruthSocial, Trump afirmou que "a China estava preocupada com uma escassez de soja e que esperava que ela aumentasse rapidamente seus pedidos do produto norte-americano".
A China é a maior compradora de soja no mundo e, no ano passado, importou cerca de 105 milhões de toneladas métricas totais, segundo o órgão — menos de um quarto veio dos EUA, enquanto a maior parte das exportações veio do Brasil.
Em 2024, o Brasil exportou aproximadamente US$ 40,4 bilhões para os Estados Unidos, sendo que cerca de dois terços desse valor correspondem a manufaturados e produtos de maior valor agregado, segundo a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia (SECEX/MDIC) — justamente os mais suscetíveis a retaliações comerciais e às tarifas de Trump.
Para os EUA alcançarem o montante brasileiro, precisariam exportar quase quatro vezes mais soja ao mercado chinês do que venderam em 2024, quando embarcaram 22,1 milhões de toneladas, equivalentes a US$ 11,3 bilhões, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Uma redução de dois terços nas exportações brasileiras aos EUA representaria uma perda de cerca de US$ 26 bilhões, de acordo com o SECEX/MDIC— impacto muito superior ao ganho de qualquer tarifa pontual —, ao passo que uma expansão significativa das exportações americanas de soja para a China poderia reduzir a participação brasileira no mercado, com efeitos diretos sobre o superávit comercial e a balança de produtos agrícolas.
Segundo a Amcham Brasil, apesar das isenções anunciadas por Trump que beneficiam 43% das exportações brasileiras, 57% dos embarques ao mercado americano permanecem sujeitos às tarifas, atingindo setores sensíveis como autopeças, eletroeletrônicos, químico e metalúrgico.
O órgão alerta que o aumento de custos decorrente de retaliações pode reduzir investimentos diretos, provocar demissões e levar ao fechamento de pequenas e médias empresas integradas às cadeias globais de valor. A incerteza regulatória e comercial também tende a afastar potenciais parceiros e dificultar o planejamento de longo prazo, comprometendo a recuperação econômica.
China x EUA: de olho na trégua comercial
Durante o primeiro mandato de Trump, no acordo da "fase um", Pequim se comprometeu a ampliar a importação de produtos agrícolas norte-americanos, incluindo soja, mas não atingiu as metas. Em meio a tensões comerciais, neste ano o país ainda não adquiriu soja dos EUA para o quarto trimestre, o que aumenta as preocupações às vésperas do início da temporada de exportações da safra americana.
“É altamente improvável que a China compre quatro vezes seu volume usual de soja dos EUA”, disse Johnny Xiang, fundador da consultoria AgRadar, à Reuters.
A trégua tarifária entre Pequim e Washington expira na terça-feira, 12, mas o governo Trump já sinalizou que o prazo pode ser prorrogado. Não está claro se a compra de mais soja dos Estados Unidos pela China será uma exigência para a extensão do acordo, no momento em que a Casa Branca busca reduzir o superávit comercial chinês.
Às 8h36, no horário de Brasília, os futuros da soja em Chicago operavam em alta de 2,37%, a US$ 1.010,37.