

A nova tarifa global de 15% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve beneficiar principalmente países que vinham sendo alvos frequentes de críticas da Casa Branca — entre eles, Brasil e China.
Levantamento do Global Trade Alert (GTA), órgão independente de monitoramento comercial, e que foi publicado no jornal Financial Times, , indica que o Brasil terá a maior redução nas taxas tarifárias médias, com queda de 13,6 pontos percentuais. A China aparece em seguida, com recuo de 7,1 pontos percentuais.
O resultado reposiciona dois dos principais alvos da política comercial recente de Washington em um cenário relativamente mais favorável, enquanto parceiros tradicionais dos EUA devem arcar com impacto proporcionalmente maior.
A nova tarifa surge após a Suprema Corte dos EUA considerar ilegal parte relevante da política tarifária anterior baseada na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
Trump havia utilizado a IEEPA para impor tarifas a parceiros comerciais. Com a decisão judicial, anunciou a substituição das medidas por uma tarifa geral inicialmente fixada em 10%, posteriormente elevada para 15%. O novo regime deve vigorar por 150 dias, salvo autorização do Congresso para extensão.
No domingo (22), o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que o governo seguirá conduzindo investigações sobre práticas comerciais que podem resultar em novas tarifas específicas. Segundo ele, a elevação da taxa para 15% reflete a “urgência da situação”.
Além de Brasil e China, México e Canadá também registram reduções relevantes nas tarifas médias. Países asiáticos como Vietnã, Tailândia e Malásia — frequentemente citados por Washington devido a superávits comerciais com os EUA — também devem se beneficiar.
Setores manufatureiros, especialmente vestuário, móveis, brinquedos e plásticos, tendem a ser favorecidos no novo cenário.
Ao mesmo tempo, Greer sinalizou que o governo poderá lançar investigações com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — instrumento já utilizado contra Brasil e China —, o que mantém o ambiente de incerteza regulatória.
O novo regime atinge de forma mais sensível aliados históricos dos EUA, como Reino Unido, União Europeia e Japão.
Esses parceiros têm exportações mais concentradas em aço, alumínio e automóveis — setores já sujeitos a tarifas adicionais que permanecem em vigor.
O maior impacto recai sobre o Reino Unido, que havia assegurado tarifa de 10% para muitos produtos e agora verá aumento médio de 2,1 pontos percentuais. A União Europeia, por sua vez, terá elevação média de 0,8 ponto percentual, com países como Itália e França mais expostos quando consideradas categorias anteriormente isentas.
A Comissão Europeia cobrou “total clareza” de Washington e ressaltou que espera o cumprimento dos compromissos assumidos. Em Londres, entidades empresariais manifestaram preocupação e pediram diálogo com os EUA.
Apesar das tensões comerciais, o novo regime não deve afetar a próxima reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.
Segundo autoridades estadunidenses, o encontro buscará garantir estabilidade bilateral, assegurar o cumprimento de acordos já firmados e reforçar compras chinesas de produtos agrícolas e aeronaves americanas.
Embora o novo modelo represente alívio imediato para países antes penalizados, o cenário permanece instável. O governo estadunidense já indicou que pode adotar medidas adicionais específicas por país, o que mantém elevado o grau de imprevisibilidade para exportadores globais.