

O Congresso dos Estados Unidos autorizou que agentes de segurança possam, em situações extremas, derrubar equipamentos de voo não tripulados considerados ameaças durante o Mundial. Ainda assim, a diretriz prioritária é a neutralização segura dos equipamentos para evitar medidas mais agressivas. O simples uso de drones recreativos sem autorização nas áreas dos jogos também será tratado com rigor, com multas que podem chegar a cerca de 100 mil dólares.
Por trás dessa escalada regulatória está uma preocupação que deixou de ser teórica há muito tempo. A proliferação de drones de baixo custo e fácil acesso abriu espaço para riscos reais, especialmente aqueles associados ao uso de equipamentos adaptados para transportar explosivos. O cenário observado em conflitos recentes como a guerra entre Ucrânia e Rússia, passou a influenciar diretamente a lógica de segurança em eventos civis de grande visibilidade.
O plano norte-americano para a Copa inclui um investimento estimado em 500 milhões de dólares ao longo de dois anos. A meta é clara: criar uma camada de proteção capaz de identificar qualquer drone não autorizado antes que ele represente um risco efetivo ao público ou à infraestrutura dos estádios.

Entre as empresas envolvidas está a dinamarquesa MyDefence, especializada em sistemas de defesa contra drones. Em entrevista ao SBT News, O CEO da companhia para a América do Norte explica que a tecnologia não depende de invasão direta do controle do equipamento mas sim da interrupção de seus sinais e da capacidade de assumir o comando do voo.
“Quando vemos um sinal, podemos determinar se é um drone amigável ou se é um drone ruim. O segundo tipo de ameaça é o que chamamos de ameaça não-complacente”, afirmou Ostrowski. Segundo ele, isso inclui desde operadores sem autorização até situações mais graves que envolvem uso malicioso da tecnologia.

Os sistemas utilizados permitem que drones sejam forçados a pousar ou retornar ao ponto de origem, dependendo do protocolo de segurança adotado. A lógica, segundo os operadores, é reduzir ao máximo o risco sem necessariamente recorrer à destruição física do equipamento.
A MyDefence, que também atuou no monitoramento de drones em zonas de conflito como a Ucrânia, afirma que trabalha com esse tipo de tecnologia desde 2013 e passou a expandir sua presença nos Estados Unidos a partir de 2019. Para Ostrowski, o desafio norte-americano tem uma característica particular: a facilidade de acesso a componentes baratos para montagem de drones improvisados.
Esse fator amplia o espectro de ameaças possíveis, tornando mais difícil distinguir entre uso recreativo, negligência e intenção hostil. “É fácil adquirir as partes para montar isso”, alerta o executivo.
Até o fim de julho, a operação de sistemas antidrones nos estádios e FanFests será conduzida por equipes contratadas pelo governo dos Estados Unidos, em parceria com empresas privadas especializadas. A localização exata das operações não é divulgada por razões de segurança, mas o objetivo é integrar diferentes tecnologias em uma rede de proteção contínua ao redor dos eventos.
O reforço de segurança não se limita ao espaço aéreo. A final da Copa, marcada para 19 de julho em Nova Jersey, já tem presença confirmada de figuras políticas de alto perfil, como o presidente da FIFA, Gianni Infantino, e o presidente Donald Trump. O evento deve contar com cerca de oito mil agentes de segurança no entorno do estádio, número que dobra o efetivo mobilizado em finais da NBA.
Mais do que uma celebração esportiva, a Copa nos Estados Unidos se desenha como um retrato do momento atual da segurança no mundo: tecnologia de ponta, vigilância ampliada e a crescente percepção de proteger pessoas e lugares contra riscos que antes pertenciam apenas ao campo militar.
