Michael Singh, pesquisador sênior do Washington Institute, disse que Teerã acredita que ainda detém a iniciativa, em parte porque o governo Trump parece incerto sobre até onde está disposto a ir militarmente.
"Os iranianos estão tentando aproveitar a vantagem que têm", acrescentou. "Eles estão interessados em estabelecer soberania sobre o estreito e exercer controle seletivo sobre a hidrovia."
Alan Eyre, ex-diplomata americano e especialista em Irã, afirmou que Teerã está adotando uma estratégia de dissuasão com o objetivo de forçar Washington a suspender o bloqueio e interromper os ataques militares. "Eles não querem que os EUA ditem o ritmo dos acontecimentos", disse ele.
Teerã, no entanto, busca autoridade administrativa sobre o estreito e a capacidade de cobrar taxas de serviço das embarcações. Washington rejeitou quaisquer taxas, insistindo que o Estreito de Ormuz permaneça uma via navegável internacional livre do controle iraniano.
A JOGADA DE RESISTÊNCIA
A campanha do Irã produziu uma consequência que reflete a lógica de sua estratégia. À medida que as ameaças se expandiram para além de Ormuz, as potências regionais e ocidentais têm se concentrado cada vez mais na proteção das rotas comerciais e da infraestrutura energética, em vez de intensificar a pressão sobre o Irã.
A coalizão marítima emergente liderada pela Arábia Saudita exemplifica essa mudança. Fontes do Golfo a descrevem como uma estrutura defensiva focada em escoltar embarcações comerciais, compartilhar informações e proteger as rotas marítimas, em vez de confrontar o Irã diretamente.
Knights compara o esforço à missão europeia Aspides no Mar Vermelho, que foi criada para proteger o tráfego mercante em vez de alterar o equilíbrio militar.
Para Teerã, essa dinâmica representa uma medida de sucesso. Incapaz de igualar diretamente o poderio militar dos EUA, o Irã ainda pode impor custos, forçando governos e marinhas a adotarem uma postura defensiva.
Cada nova ameaça, seja em Ormuz, no Estreito de Bab el-Mandeb — que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden — ou em qualquer outro lugar, aumenta os recursos necessários para manter o fluxo do comércio global.
Em essência, a disputa é uma questão de resistência. Os líderes iranianos parecem acreditar que podem tolerar a pressão econômica por mais tempo do que uma coalizão liderada pelos EUA pode tolerar as constantes interrupções no comércio global e nos mercados de energia.
A estratégia também tem um objetivo diplomático. Ao demonstrar que pode ampliar a crise quando necessário, Teerã espera influenciar os termos de eventuais negociações.
"Se houver negociações, eles definirão os termos", disse Ray Takeyh, do Conselho de Relações Exteriores e ex-conselheiro para o Irã no Departamento de Estado dos EUA. "Ambos os lados estão respondendo com escaladas."
Contudo, nenhum dos lados parece disposto a ceder. Enquanto Washington e Teerã continuam a testar a determinação um do outro, permanece o risco de que uma estratégia concebida para maximizar a influência possa se transformar em um conflito que nenhum dos dois consiga controlar completamente.
Reportagem adicional de Parisa Hafezi em Dubai; Texto de Samia Nakhoul; Edição de Ros Russell