

Nas últimas semanas, Lula já teve uma rodada de conversas telefônicas individualmente com presidentes e primeiros-ministros como Xi, Modi e Putin, além do francês Emmanuel Macron e da mexicana Claudia Scheinbaum.
As conversas têm girado em torno de questões como a defesa do multilateralismo, da intensificação de parcerias comerciais e da diversificação de mercados.
O Brics tem evitado declarações de enfrentamento direto aos Estados Unidos e a Trump, inclusive para não transmitir à Casa Branca uma mensagem de antiamericanismo, embora a cúpula do Rio de Janeiro realizada em julho tenha condenado a adoção unilateral de medidas protecionistas.
Na semana passada, em um evento na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o chanceler Mauro Vieira disse que o governo Lula tem buscado colocar em pauta uma reformulação da OMC.
"Demos início a conversas com os demais países afetados pelas medidas tarifárias dos Estados Unidos, afirmou Vieira.
Segundo ele, nesses contatos, surgiram "crescentes preocupações [...] com o processo de deterioração do sistema multilateral de comércio" e com "negociações bilaterais assimétricas vulneráveis a pressões dos mais fortes".
"O Brasil pretende desse modo dar início a discussões sobre uma reforma estrutural da OMC, uma verdadeira refundação do organismo, sobre bases mais modernas e flexíveis".
Desde o primeiro governo Trump, em um impasse que atravessou toda a gestão Joe Biden e continua intacta, o órgão de solução de controvérsias da OMC está paralisado diante da falta de indicações dos Estados Unidos para compor o tribunal de apelações (uma segunda instância em casos de disputas entre países).
O governo Lula tem buscado acelerar negociações com outros parceiros. Em agosto, foi anunciada a retomada das negociações para um acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá. O vice-presidente Geraldo Alckmin foi ao México, na tentativa de estreitar laços econômicos e aprofundar o acordo comercial em vigência com o Brasil, e irá para a Índia em breve com o mesmo objetivo.